MENSAGENS

O Salmo 121

foto
Acordei nesta manhã com o Salmo 121 fazendo cócegas em minha memória. “Elevo os meus olhos para os montes e pergunto: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra” (Sl.121:1-2).

Sei que o início das minhas divagações se deveu às incertezas da política e da economia brasileira e nas providências anunciadas pelo Governo. Por não acreditar que tais providências sejam suficientes para tirar o Brasil do buraco onde estamos, lembrei-me da declaração de Davi, que confiava em Deus e não nos homens. Creio que nosso socorro neste tempo de angústias vem sempre do Senhor e não dos governos. Ok, mas o salmo me levou para mais longe. Levou-me ao meu passado e me fez lembrar das inúmeras vezes em que Deus enviou anjos em meu socorro. Eu que gosto tanto de viajar, já enfrentei problemas assustadores por esse mundo afora e, não fosse o “socorro bem presente” (Sl.46:1) do Senhor, algumas dessas situações teriam terminado, no mínimo, em prejuízos imensos. Passo a seguir (tomara que você tenha paciência de ler) a contar algumas dessas experiências, que me vieram à memória no início da manhã de hoje.

Verão de 1989 ou 90, não me lembro bem. Viajávamos de carro, eu e minha família, em direção ao Estado de Goiás. Num trecho antes de Barra do Garças/MT, onde não há postos de gasolina por muitos quilômetros, comecei a perceber que o combustível iria faltar. Enquanto eu falava desse problema com minha esposa, uma pedra voou e quebrou o para-brisas do carro, que estilhaçou, mas não caiu por completo de seu lugar. Tive que diminuir drasticamente a velocidade. Para piorar, começou a chover. Não havia solução e nem recursos. Tinha que continuar, mas a apreensão tomou conta de mim. Duas crianças pequenas no carro...vamos seguindo, mas vi que tinha que parar porque o vidro começava a se esfarelar e cair; era grande o perigo de ferir alguém. Parado debaixo de uma árvore, com a água da chuva entrando, pensei: “Deus...e agora? ” No exato momento em que pensei nisso, um carro parou e dele desceu um homem que veio até nós. Olhei rápido e vi que dentro do carro estava uma mulher com uma criança. O homem perguntou se podia nos ajudar. Puxei um pouco de conversa para me certificar de que não era um malfeitor. Era um pastor que estava de mudança para Barra do Garças. Pedi a ele que desse carona para minha família e me esperasse no primeiro posto de gasolina. Deu tudo certo! Almoçamos juntos e nunca mais os vi. Foram anjos que Deus enviou em meu socorro.

Noutra ocasião, viajando a trabalho para Juara/MT em um avião particular com alguns colegas de empresa, fui “esquecido” no hotel. A equipe seguiu para o destino seguinte (uma fazenda à 80 km de distância) e eu fiquei só, sem recursos e sem saber o que fazer. Enquanto eu pensava na situação e já olhava para Deus com a pergunta de sempre, um carro estacionou no lugar onde eu estava. Dele desceu um cidadão perguntando sobre a localização de uma certa fazenda que ele pretendia comprar. Era a mesma fazenda onde estavam meus companheiros! Respondi a ele que conhecia a fazenda, mas como iríamos até lá? Ele me respondeu: “Meu avião está na pista da cidade e o piloto aguarda apenas a localização para seguirmos até lá. Você não pode vir conosco e mostrar a localização? ” Sim, paciente leitor, Deus enviou um confortável avião bimotor para me buscar naquela distante cidade!

Tenho mais! Verão de 2010. Eu e minha família conseguimos passagens muito baratas para conhecermos Buenos Aires. Mas o tal bilhete promocional partia de Campo Grande/MS. Tudo bem! Fomos por terra até Campo Grande, guardamos o carro em um estacionamento e seguimos para o aeroporto. Por um descuido meu, levei apenas a Certidão de Nascimento de Ana Julia (então com três anos de idade). Impossível embarcar sem um documento com foto! Que chateação! Perderíamos a viagem. Os demais (minha filha maior, meu genro e um casal de amigos) embarcariam e nós ficaríamos. Quando percebeu que não iríamos mais, a pequena Ana desabou em choro. As simpáticas funcionárias da companhia aérea até que tentaram consolá-la, mas foi em vão. Ela chorava cada vez mais alto. Naquele exato momento, passava uma amiga, que mora em Campo Grande e nos reconheceu. Dois minutos de conversa e ela diz: “Tenho um amigo na Polícia Federal que pode ajudar...” Ela nem terminou a frase e já apontou no meio dos passantes: “Olha ele ali! É meu amigo! Que coincidência! ” Chamou o amigo, explicou o caso e ele diz: “A superintendente da PF aqui é muito minha amiga...esperem, vou ligar para ela”. Para resumir, em questão de horas, eu tinha em mãos um passaporte de emergência e pudemos embarcar no vôo seguinte, para alegria da pequena Ana Júlia.

Se você tiver paciência, posso contar mais.... Em 1989 eu era vendedor de carros. Tive que ir a Rondonópolis para resolver um problema de documentos. Para a viagem de apenas um dia, escolhi um carro bem veloz na loja onde eu trabalhava. Depois de rodar 140 km, o tal carrão começou a falhar até parar no meio do nada. Desci, abri o capô... e fiquei ali com aquela de cara de quem não sabe o que fazer. Nem dois minutos se passaram, parou um carro. Era um colega da empresa que me reconheceu. Diferente de mim, ele conhecia um pouco de mecânica. Mexeu em alguma coisa lá e o carro voltou a funcionar, ainda que precariamente. Toquei viagem, com o colega me acompanhando logo atrás. Cheguei em Rondonópolis e imediatamente levei o carro até uma oficina onde me disseram que seriam necessárias algumas horas de trabalho. O colega me levou nos lugares onde precisava ir, almoçamos juntos, resolvemos tudo e voltamos à oficina, já ali pelo meio da tarde. Já na volta, saindo da cidade e sempre com o colega na minha cola, o carro voltou a falhar. Parei e o trocamos de carro. O colega mais experiente seguiu no carrão defeituoso e eu o segui em seu simpático fusca branco. A meia viagem, uma fechada de um passante me leva a derrapar e capotar o fusca. Bati violentamente a cabeça, tive traumatismo encefálico e entrei em imediata amnésia total. Não sabia nada, de onde vinha, para ondeia, nem meu nome... o colega que me acompanhava foi o anjo de Deus naquele momento; encaminhou-me ao hospital, chamou socorro da minha cidade e deu tudo certo.

Em 1999, passei alguns meses sozinho nos Estados Unidos. Pretendia trabalhar e construir vida por lá. A ideia não deu certo e aqueles foram dias muito difíceis. Lá, fui socorrido por três anjos: O Pr. Joel de Assis que muito me ajudou em conselhos e orações, o Sr...não lembro o nome, era chinês, dono do restaurante onde trabalhei... e meu vizinho brasileiro, que conhecia apenas pelo apelido “Cebolinha”. O chefe chinês do restaurante ficou impressionado quando lhe informei que estava voltando ao Brasil porque me recusava a usar documentos falsos para poder trabalhar. Nunca aceitei isso, mesmo sabendo que a esmagadora maioria dos latinos que lá trabalham usam documentos falsos. Por isso, antes que meu tempo de permanência autorizada se esgotasse, eu queria voltar ao Brasil. O chefe insistiu para que eu ficasse; disse que abrigaria toda a minha família e que forneceria seu advogado para me ajudar a regularizar minha situação, pois, segundo ele, precisava muito de um funcionário “confiável”. Tudo porque ficou impressionado com minha atitude. Mesmo assim, eu estava louco de saudade do Brasil e quis voltar. Mesmo assim, o chefe me ajudou com uma generosa oferta em dinheiro, suficiente para que eu pagasse algumas despesas e chegasse em casa em segurança. Sobre o “Cebolinha”... era tempo de internet discada e era ele que descia o fio pelo lado de fora da janela do nosso prédio para que eu pudesse conectar um velho computador, ler e enviar e-mails para minha família.

Tenho outras histórias de outras viagens, mas só vou contar mais uma. Maio de 2010, já como pastor, estava liderando um grupo em viagem pelo Oriente Médio. Na fronteira entre Jordânia e Israel, há um procedimento de checagem de documentos e bagagens que, às vezes, demora horas. Enquanto estávamos ali, uma jovem militar, sargento do exército israelense, demonstrou grande simpatia para conosco. Disse que amava o Brasil, pediu para tirar fotos conosco e com a nossa bandeira. Incentivei um jovem de nossa caravana a presenteá-la com uma bandeira brasileira, o que a deixou muito emocionada e feliz. Enquanto isso, um outro jovem da caravana nos aborda com um problema gravíssimo: Ele havia esquecido seu passaporte no ônibus que havia nos trazido desde a Jordânia e, a essa altura, o tal ônibus já estava a quilômetros de distância. Em se tratando de uma viagem internacional, a perda do passaporte é um fato grave, que praticamente impossibilita o viajante de continuar em seu roteiro. Ele teria que seguir imediatamente e sob escolta para o consulado brasileiro mais próximo para emitir um passaporte de emergência... um transtorno incalculável para ele e para todo o grupo. Enquanto falávamos, a jovem sargento percebeu nossa apreensão e nos interrompeu perguntando do que se tratava. Expliquei-lhe e ela imediatamente tomou providências. Foi até uma sala, ligou para empresa do ônibus, conseguiu o celular do motorista e conseguiu interceptá-lo já a mais de 50 km de distância. Providenciou um carro pequeno e enviou uma pessoa até onde estava o ônibus para resgatar o passaporte perdido. Aquela moça salvou o meu dia e, talvez sem saber, foi anjo de Deus em meu socorro.
Tem mais histórias, de outras viagens, mas vou parar por aqui senão isso vira livro! Bendito seja o Senhor, que sempre me socorre em momentos de incerteza.

(Pr. Jairo Ishikawa)

Fonte: (Pr. Jairo Ishikawa)




OUTRAS MENSAGENS

22/01/2018

Carta à Igreja de Filadélfia.

24/09/2015

RESPONSABILIDADE/ENCARGO

16/09/2015

O Salmo 121

06/01/2015

"DECADÉNCE AVEC ELÉGANCE"

05/01/2015

TRANSFORMANDO CONFLITOS EM BÊNÇÃOS

05/01/2015

AS TRÊS LAGRIMAS DE CRISTO

Av. Arquimedes Pereira Lima, 25
Jardim das Américas | Cuiabá/MT
55 65 3027 4356